{"id":1199,"date":"2016-04-18T16:31:25","date_gmt":"2016-04-18T15:31:25","guid":{"rendered":"http:\/\/heirsholdings.com\/?p=1199"},"modified":"2024-11-04T16:23:23","modified_gmt":"2024-11-04T15:23:23","slug":"africapitalismo-africa-desenvolvimento-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.heirsholdings.com\/pt\/africapitalism-africas-sustainable-development\/","title":{"rendered":"O africapitalismo e o desenvolvimento sustent\u00e1vel de \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<div class=\"prose\">\n<p>Publicado originalmente em <a href=\"http:\/\/www.cirsd.org\/publications\/magazines_article_view_short\/english\/141\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">Cirsd<\/a><\/p>\n<p>A ascens\u00e3o de \u00c1frica \u00e9 real, mas n\u00e3o est\u00e1 assegurada. Embora nos \u00faltimos 15 anos se tenham registado muitos indicadores econ\u00f3micos cr\u00edticos - aumento do produto interno bruto, aumento do rendimento real per capita e aumento das taxas de participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho -, subsistem desafios fundamentais. O principal deles, em todo o continente, \u00e9 uma aparente falta de resist\u00eancia econ\u00f3mica para suportar os choques dos pre\u00e7os dos produtos de base.<\/p>\n<p>Apesar de muito se falar de \"potencial\", \u00c1frica continua a ter a maior incid\u00eancia de pobreza e a taxa mais lenta de redu\u00e7\u00e3o da pobreza. O crescimento da popula\u00e7\u00e3o excedeu a redu\u00e7\u00e3o da pobreza. As taxas de desigualdade permanecem elevadas - cerca de 415 milh\u00f5es de pessoas na \u00c1frica Subsariana vivem na pobreza. Entre a chamada classe m\u00e9dia africana (ou seja, os que ganham entre $2 e $20 por dia), 60% constituem a \"classe flutuante\" (ou seja, os que ganham entre $2 e $4 por dia), com o risco de reca\u00edrem na pobreza.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o tem de mudar se se pretende um desenvolvimento sustent\u00e1vel e inclusivo de base alargada em \u00c1frica.<\/p>\n<p>Todos sabemos que as economias africanas t\u00eam sido largamente definidas pela atividade extractiva - petr\u00f3leo e g\u00e1s, minerais e uma variedade de metais preciosos. As ind\u00fastrias extractivas do continente exportam frequentemente mat\u00e9rias-primas para outros locais para serem transformadas, o que significa que o valor \"real\" desses recursos \u00e9 frequentemente realizado fora de \u00c1frica. Esta falta de valor acrescentado aos recursos africanos est\u00e1 no cerne do fracasso do continente em prosperar e do ciclo vicioso de \"boom\" quando os pre\u00e7os dos produtos de base sobem para \"queda\" no final de um boom de pre\u00e7os dos produtos de base. A verdadeira quest\u00e3o que se coloca a \u00c1frica e aos seus dirigentes \u00e9 a seguinte: como podemos mudar esta situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Penso que \u00e9 essencial realizarmos um debate mais aprofundado e aberto sobre as economias africanas e sobre a forma de as tornar mais resistentes, afastando-nos da narrativa de bem-estar a curto prazo com t\u00edtulos reconfortantes como \"\u00c1frica alberga sete das 10 economias de crescimento mais r\u00e1pido do mundo\". Para ajudar \u00c1frica a crescer de forma sustent\u00e1vel, temos de compreender melhor os seus desafios e abord\u00e1-los de uma forma fundamental e hol\u00edstica. Basta dizer que, se n\u00e3o o fizermos, estaremos a fugir a algumas quest\u00f5es cr\u00edticas.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"center\" src=\"https:\/\/media.licdn.com\/mpr\/mpr\/shrinknp_800_800\/AAEAAQAAAAAAAAdPAAAAJGQ5OTQzYmY3LWQ1NTUtNDg1MC04Y2NjLTY4YjAyMjg5ZGI5NQ.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\"><\/p>\n<p>O exemplo mais flagrante de um grave desafio que se aproxima e que deve ser transformado numa oportunidade \u00e9 o dividendo demogr\u00e1fico de \u00c1frica. Mais de 200 milh\u00f5es de jovens africanos entrar\u00e3o no mercado de trabalho at\u00e9 2030. A \u00c1frica tem cerca de 617 milh\u00f5es de jovens em idade ativa e prev\u00ea-se que este n\u00famero aumente para 1,6 mil milh\u00f5es at\u00e9 2060, transformando \u00c1frica na maior for\u00e7a de trabalho do mundo.<\/p>\n<p><strong>Boas not\u00edcias <\/strong><\/p>\n<p>A reserva de m\u00e3o de obra de \u00c1frica tem potencial para ser uma for\u00e7a de crescimento transformadora em todo o continente. Isto s\u00f3 pode ser conseguido com um esfor\u00e7o deliberado e abrangente para criar milh\u00f5es de novos postos de trabalho e oportunidades de emprego para acomodar estes novos participantes na for\u00e7a de trabalho, aos milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O potencial de uma popula\u00e7\u00e3o em crescimento reside no seu capital humano. Os sectores p\u00fablico e privado podem transformar este aumento da popula\u00e7\u00e3o numa gera\u00e7\u00e3o em ascens\u00e3o e com energia que pode ser utilizada para estimular a inova\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento no continente.<\/p>\n<p>A chave para enfrentar com \u00eaxito o desafio do emprego, em particular, \u00e9 garantir que as economias africanas criem mais valor localmente. Isto significa, por exemplo, que em vez de se limitar a extrair recursos naturais e a export\u00e1-los como mercadorias para pa\u00edses fora de \u00c1frica que os processam, refinam e acrescentam \"valor\", \u00c1frica deve criar a capacidade de acrescentar valor aos seus pr\u00f3prios recursos naturais. Isto permitiria a \u00c1frica colher mais benef\u00edcios, incluindo a gera\u00e7\u00e3o de atividade econ\u00f3mica local que impulsiona a cria\u00e7\u00e3o de emprego, constr\u00f3i e sustenta cadeias de abastecimento e promove um ecossistema econ\u00f3mico mais hol\u00edstico.<\/p>\n<p><strong>Africapitalismo<\/strong><\/p>\n<p>A \u00c1frica \u00e9 a \u00faltima fronteira do capitalismo e, como tal, oferece oportunidades econ\u00f3micas ilimitadas que podem resolver muitos dos desafios sociais mais prementes do continente. O investimento a longo prazo que gera lucros econ\u00f3micos, que podem ser reciclados no ecossistema econ\u00f3mico de \u00c1frica, bem como riqueza social, est\u00e1 no centro do Africapitalismo. Trata-se de uma abordagem do sector privado para resolver alguns dos problemas de desenvolvimento mais dif\u00edceis de resolver em \u00c1frica.<\/p>\n<p>O Africapitalismo \u00e9 uma filosofia econ\u00f3mica que incorpora o compromisso do sector privado de transformar a economia africana atrav\u00e9s de investimentos a longo prazo que geram prosperidade econ\u00f3mica duradoura e riqueza social para todos os africanos.<\/p>\n<p>O africapitalismo apresenta um modelo diferente daquele que depende exclusivamente do governo para gerir os mercados e fornecer servi\u00e7os sociais b\u00e1sicos, uma vez que n\u00e3o se pode contar apenas com o sector p\u00fablico para desenvolver \u00c1frica. Em vez disso, exorta uma nova \u00c1frica a emergir das actividades de um sector privado revigorado, resolvendo problemas sociais atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o de empresas e da cria\u00e7\u00e3o de riqueza social.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de criar empregos, atrair mais investimentos, construir cadeias de valor locais, inovar novos produtos e servi\u00e7os, gerar receitas fiscais e criar repercuss\u00f5es econ\u00f3micas positivas, o africapitalismo tamb\u00e9m pode ajudar a combater a desigualdade.<\/p>\n<p>No entanto, para atingir o objetivo do Africapitalismo de criar mais oportunidades econ\u00f3micas e riqueza social, o sector privado africano deve passar de actividades econ\u00f3micas de curto prazo e de procura de rendimentos para uma abordagem empresarial de longo prazo. As pol\u00edticas governamentais devem apoiar uma cultura de empreendedorismo - um empreendedorismo que esteja efetivamente a resolver problemas sociais e a acrescentar valor para os africanos. \u00c9 este tipo de apoio por parte do governo que contribui para um sector privado robusto e permite que o governo desempenhe o seu papel adequado como promotor do crescimento e do desenvolvimento.<\/p>\n<p>Em \u00c1frica, o objetivo do desenvolvimento econ\u00f3mico n\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ado apenas atrav\u00e9s do crescimento. Durante d\u00e9cadas, mesmo nas economias africanas de crescimento mais r\u00e1pido, o crescimento teve menos efeito sobre a pobreza do que na Am\u00e9rica Latina e nas Cara\u00edbas, na Europa emergente e na \u00c1sia Central.<\/p>\n<p>A principal raz\u00e3o \u00e9 que, at\u00e9 \u00e0 data, o processo de crescimento n\u00e3o tem sido inclusivo. O crescimento n\u00e3o tem sido impulsionado por investimentos a longo prazo que acrescentem valor a n\u00edvel interno, mas sim pela exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas a pre\u00e7os continuamente crescentes. De acordo com as Perspectivas Econ\u00f3micas Africanas de 2011, \"o crescimento tem de estar associado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de emprego, porque o emprego \u00e9 o principal canal atrav\u00e9s do qual o crescimento afecta a pobreza\".<\/p>\n<p>Cerca de 80% dos pa\u00edses com economias dependentes da ind\u00fastria extractiva t\u00eam n\u00edveis de rendimento per capita inferiores \u00e0 m\u00e9dia mundial. Muitas destas na\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m enfrentam desafios significativos em mat\u00e9ria de energia, agricultura, ambiente, res\u00edduos, transportes e infra-estruturas b\u00e1sicas.<br \/>\n<strong><br \/>\nSeis sectores-chave do Africapitalismo<\/strong><\/p>\n<p>Vejamos seis sectores cr\u00edticos fundamentais para o desenvolvimento sustentado de \u00c1frica que se enquadram na filosofia do Africapitalismo.<\/p>\n<p>O primeiro sector-chave \u00e9 o da energia. Dada a grave escassez de energia em \u00c1frica (apenas 26% da popula\u00e7\u00e3o da \u00c1frica Subsariana tem acesso \u00e0 eletricidade), os investimentos das empresas em prioridades energ\u00e9ticas sustent\u00e1veis, como a efici\u00eancia energ\u00e9tica, o acesso \u00e0 energia e fontes de energia mais limpas, ser\u00e3o fundamentais para apoiar o desenvolvimento sustent\u00e1vel de \u00c1frica. Os investimentos em projectos energ\u00e9ticos, a co-gera\u00e7\u00e3o e o aumento da efici\u00eancia energ\u00e9tica n\u00e3o s\u00f3 tornar\u00e3o as opera\u00e7\u00f5es comerciais e industriais menos vulner\u00e1veis \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es e \u00e0 escassez de energia, como tamb\u00e9m aumentar\u00e3o a viabilidade financeira global.<\/p>\n<p>A segunda \u00e9 o desperd\u00edcio. As empresas de todo o mundo est\u00e3o a descobrir a \"riqueza dos res\u00edduos\". O sector privado em \u00c1frica deve assumir a lideran\u00e7a na explora\u00e7\u00e3o do potencial de reciclagem e gest\u00e3o de res\u00edduos que pode levar \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias inteiramente novas. As empresas t\u00eam de olhar para al\u00e9m dos modelos habituais e utilizar as tecnologias de forma criativa, a fim de gerar riqueza e avan\u00e7ar para vias de baixo carbono.<\/p>\n<p>O terceiro sector-chave \u00e9 o dos transportes. Os custos de transporte aumentam os pre\u00e7os dos produtos africanos em 75%, o que diminui a sua competitividade. \u00c0 medida que mais recursos naturais de \u00c1frica s\u00e3o desenvolvidos e que a popula\u00e7\u00e3o cresce significativamente, existem enormes oportunidades de investimento em infra-estruturas de transportes, incluindo estradas, portos, caminhos-de-ferro, aeroportos e transportes colectivos.<\/p>\n<p>A quarta \u00e9 o ambiente. Uma d\u00fazia de grandes cidades africanas ver\u00e1 a sua popula\u00e7\u00e3o aumentar em 50% entre 2010 e 2025, e prev\u00ea-se que o continente esteja 70% urbanizado at\u00e9 2050. O sector privado pode contribuir para o desenvolvimento de novos centros urbanos inteligentes atrav\u00e9s de parcerias p\u00fablico-privadas (PPP), implementando novas tecnologias de baixo carbono e desenvolvendo vias de baixo carbono para a urbaniza\u00e7\u00e3o em \u00c1frica. Como a Agenda 2030 da ONU deixa bem claro, o crescimento econ\u00f3mico e o desenvolvimento sustent\u00e1vel n\u00e3o s\u00e3o jogos de soma zero.<\/p>\n<p>O quinto sector-chave \u00e9 a agricultura. A agricultura emprega 65% da for\u00e7a de trabalho de \u00c1frica e representa 32% do produto interno bruto. Al\u00e9m disso, mais de 60% das terras ar\u00e1veis do mundo est\u00e3o localizadas no continente. Com os rendimentos agr\u00edcolas mais baixos do mundo, existe uma enorme quantidade de valor a ser capturado atrav\u00e9s do desenvolvimento da agricultura de m\u00e9dia e grande escala e da mecaniza\u00e7\u00e3o, a fim de aumentar drasticamente a produtividade.<\/p>\n<p>No sector agr\u00edcola, para al\u00e9m de financiar, comprar e apoiar melhorias na cultura do cacau para exporta\u00e7\u00e3o, um novo quadro comercial deve abranger toda a cadeia de valor e incluir apoio a oportunidades de armazenamento, transporte, transforma\u00e7\u00e3o, fabrico e embalagem de chocolate de valor acrescentado, que \u00c1frica importa atualmente em grandes quantidades.<\/p>\n<p>E a sexta s\u00e3o as cadeias de valor. As cadeias de valor oferecem a \u00c1frica a oportunidade de criar sectores de produ\u00e7\u00e3o din\u00e2micos atrav\u00e9s da transforma\u00e7\u00e3o dos seus recursos naturais - desde produtos agr\u00edcolas e minerais at\u00e9 ao petr\u00f3leo e ao g\u00e1s natural. Por exemplo, a Mtanga Foods, uma empresa agr\u00edcola comercial em que investi na Tanz\u00e2nia, serve toda a cadeia de valor da sua opera\u00e7\u00e3o, centrando-se na produ\u00e7\u00e3o, transforma\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e venda a retalho de carne de vaca, outros produtos de carne e batatas de semente. A opera\u00e7\u00e3o da Mtanga introduziu as primeiras novas variedades de batata de semente na Tanz\u00e2nia em mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, fornecendo mais de 150.000 agricultores, transferindo know-how e tecnologia para o Minist\u00e9rio da Agricultura da Tanz\u00e2nia, abrindo o sector a novos operadores e criando emprego para os agricultores locais, multiplicadores de sementes de pequenos agricultores e distribuidores.<\/p>\n<p><strong>Empreendedorismo<\/strong><\/p>\n<p>Mais de 200 milh\u00f5es de jovens africanos entrar\u00e3o no mercado de trabalho at\u00e9 2030, e as actuais taxas de cria\u00e7\u00e3o de emprego n\u00e3o ser\u00e3o capazes de os absorver a todos. Este facto torna esmagadora a necessidade de promover o empreendedorismo - e, em particular, de pol\u00edticas que criem um ambiente prop\u00edcio ao desenvolvimento dos empreendedores. O esp\u00edrito empresarial n\u00e3o s\u00f3 permite que os indiv\u00edduos encontrem e procurem oportunidades para melhorar a sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, como tamb\u00e9m expressa a capacidade de \u00c1frica para encontrar solu\u00e7\u00f5es para os seus problemas econ\u00f3micos a n\u00edvel micro.<\/p>\n<p>O desenvolvimento das empresas \u00e9 fundamental para a redu\u00e7\u00e3o da pobreza, a cria\u00e7\u00e3o de emprego, o crescimento econ\u00f3mico, o refor\u00e7o das compet\u00eancias e capacidades t\u00e9cnicas e o desenvolvimento econ\u00f3mico sustent\u00e1vel global do continente. A focaliza\u00e7\u00e3o deliberada nas pol\u00edticas, a forma\u00e7\u00e3o e os incentivos no espa\u00e7o das PME permitir\u00e3o que os empres\u00e1rios prosperem; alcancem seguran\u00e7a financeira; acumulem riqueza, criem empregos e rendimentos nas suas comunidades; gerem receitas fiscais para os governos; e catalisem uma s\u00e9rie de efeitos multiplicadores - desde a seguran\u00e7a alimentar e a melhoria da nutri\u00e7\u00e3o at\u00e9 um melhor acesso aos cuidados de sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para as gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>\u00c9 encorajador ver a nova vaga de jovens empres\u00e1rios criativos e confiantes que surgiu em \u00c1frica, desenvolvendo start-ups inovadoras em \u00e1reas como o ambiente, a sa\u00fade e o desenvolvimento de compet\u00eancias.<\/p>\n<p>Estou t\u00e3o convicto do papel das empresas e das PME na transforma\u00e7\u00e3o de \u00c1frica que, atrav\u00e9s do Programa de Empreendedorismo Tony Elumelu, comecei a investir $100 milh\u00f5es ao longo de um per\u00edodo de dez anos para identificar, orientar, formar e lan\u00e7ar 10.000 empresas africanas em fase de arranque. As primeiras 1.000 - representando 51 pa\u00edses africanos - j\u00e1 conclu\u00edram a sua forma\u00e7\u00e3o e receberam a sua primeira tranche de capital de arranque, e est\u00e3o preparadas para produzir a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de l\u00edderes empresariais transformadores. H\u00e1 mais milh\u00f5es de aspirantes a empres\u00e1rios africanos que merecem uma oportunidade, se ao menos os governos dessem prioridade ao apoio ao empreendedorismo.<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses de elevado rendimento, as PME representam mais de 60% do emprego e do PIB; nos pa\u00edses de baixo rendimento, representam quase 80% do emprego, mas menos de 20% do PIB. Consequentemente, quer os empres\u00e1rios criem as suas empresas porque n\u00e3o conseguem encontrar emprego (\"empreendedorismo de necessidade\") ou porque v\u00eaem oportunidades de mercado (\"empreendedorismo de oportunidade\"), ajud\u00e1-los a crescer \u00e9 um imperativo de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Para as grandes empresas, o desenvolvimento empresarial \u00e9 tamb\u00e9m um imperativo comercial. Refor\u00e7a a cadeia de valor, aumentando a qualidade, a quantidade e a seguran\u00e7a, ao mesmo tempo que diminui potencialmente os custos do lado da oferta e aumenta a capacidade de venda do lado da distribui\u00e7\u00e3o. Expande o mercado ao impulsionar a cria\u00e7\u00e3o de emprego e o crescimento do PIB, e melhora a reputa\u00e7\u00e3o das empresas ao contribuir para as prioridades locais, nacionais e globais.<\/p>\n<p>Tal como o desenvolvimento das empresas \u00e9 fundamental para as grandes empresas, as grandes empresas s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento das empresas. Podem apoiar os empres\u00e1rios atrav\u00e9s do investimento social das empresas em capital de arranque, em compet\u00eancias empresariais b\u00e1sicas, em tutoria e na cria\u00e7\u00e3o de redes com os seus pares e potenciais clientes.<\/p>\n<p>No entanto, as grandes empresas apercebem-se cada vez mais de que, quando se trata de apoiar os empres\u00e1rios, a sua vantagem comparativa n\u00e3o \u00e9 o investimento social, mas sim a procura de bens e servi\u00e7os por parte de empresas em fase de arranque e PME no \u00e2mbito das suas opera\u00e7\u00f5es comerciais e cadeias de valor principais - procura que cria as oportunidades de neg\u00f3cio de que os empres\u00e1rios necessitam para crescer. Para as ajudar a tirar partido destas oportunidades, muitas grandes empresas ajustam as suas pol\u00edticas e pr\u00e1ticas de aquisi\u00e7\u00e3o e disponibilizam aos fornecedores, distribuidores e retalhistas de pequena escala informa\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o, tecnologia e outros recursos de refor\u00e7o de capacidades.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes do sector p\u00fablico africano ter\u00e3o de tomar medidas mais pr\u00f3-activas para resolver quest\u00f5es persistentes em \u00e1reas como infra-estruturas fi\u00e1veis e funcionais, tributa\u00e7\u00e3o, desenvolvimento de compet\u00eancias e governa\u00e7\u00e3o empresarial, que muitas vezes dificultam o arranque de organiza\u00e7\u00f5es que operam em sectores n\u00e3o tradicionais. Os governos africanos devem tamb\u00e9m utilizar incentivos e outros mecanismos para garantir que as micro, pequenas e m\u00e9dias empresas (MPME) e as actividades de m\u00e3o de obra intensiva possam prosperar a par das grandes empresas, tanto nas \u00e1reas tradicionais como nas novas \u00e1reas das suas economias.<\/p>\n<p><strong>Uma nova hist\u00f3ria africana<\/strong><\/p>\n<p>\u00c1frica oferece uma enorme oportunidade que ainda n\u00e3o foi, em grande parte, explorada pelos africanos e pelo resto do mundo. No que me diz respeito, continuarei a aumentar os meus investimentos em \u00c1frica e a capacitar os jovens empres\u00e1rios africanos para que possamos desenvolver \u00c1frica em conjunto.<\/p>\n<p>Aguardo com expetativa uma nova hist\u00f3ria africana, em que o sector privado africano trabalhe em conjunto com os governos africanos para desenvolver ind\u00fastrias nacionais de valor acrescentado, apoiando assim o desenvolvimento de que \u00c1frica necessita. Os resultados de uma parceria deste tipo devem e ir\u00e3o proporcionar uma cria\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de emprego, bem como avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, inova\u00e7\u00e3o e, mais importante ainda, um reequil\u00edbrio da troca desigual de mat\u00e9rias-primas baratas por produtos acabados dispendiosos que tem colocado \u00c1frica numa situa\u00e7\u00e3o de desvantagem permanente.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-content-footer\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Originally published on Cirsd Africa\u2019s rise is real, but not assured. While many critical economic indicators\u2014increasing gross domestic product, increasing real income per capita and increased labor market participation rates\u2014have been recorded over the last 15 years, fundamental challenges remain. 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